Milão - Itália


Olá queridos Familia, amigos e outros leitores, hoje, estando eu em Milão por mais tempo do que o normal que seria normal (um dia) vou escrever-vos sobre este lugar que adoro e falar-vos de duas experiências completamente diferentes no mesmo sítio. Em particular de uma certa aventura que me fez ter um carinho especial por Milão. 
A primeira vez que cá vim, no ano de 2010, estava eu a fazer Erasmus em Bologna, onde morei durante 6 meses e quando vim a Milão nessa primeira vez vinha em condições completamente opostas ao que venho agora. Vou passar a contar-vos. Espero que gostem.
Num rico dia desse ano de 2010, eu e uma grande amiga Belga que ainda mantenho desde essa data a Liesbet (e que eu adoro), resolvemos que queríamos vir visitar Milão. Apesar de todos os nossos amigos, do grupo que mantínhamos já o terem feito e até não terem criticas muito positivas acerca do local decidimos que tínhamos que visitar a cidade da Moda.
Apanhamos um comboio em Bologna cedinho com o intuito de voltar no mesmo dia, mas foi aí que a aventura saiu bem diferente do esperado. Havia varias opções de comboio, o mais barato demorava 3 horas e o mais caro 1 hora, lembro-me que apanhamos o mais barato cerca de 12 euros na altura e que demorou essas tais 3 horas. Na altura que estava a estudar em Itália, como quase todo o estudante de Erasmus o dinheiro era contadinho e tentávamos poupar o máximo para podermos ir visitar outros lugares. Devo agradecer à minha família especialmente às tias e primo mais velho porque contribuíram (MUITO) para as minhas viagens extra a estes sítios maravilhosos!! 
Bem, como estava a dizer, chegamos a Milão e começamos a visita aos locais mais turísticos. Primeiro o posto de turismo, que fica na Piazza del Duomo onde fica também a catedral de Milão, o Duomo. Seguimos para o Castello Sforzesco. Visitamos os jardins do castelo, vimos o castelo por dentro e continuamos a vaguear pela cidade. Gostamos muito. Até que nos apercebemos que um dia para ver Milão não ia chegar. Afinal não só era uma cidade espectáculos como ao contrario do que os nossos amigos diziam não se via só num dia. Então começamos a perguntar a algumas pessoas que aparentavam ter a mesma idade que nós se sabiam de um hostel em conta que desse para nós ficarmos durante a noite para no dia seguinte continuar a visita. Perguntamos a vários outros estudantes e nada. Desistimos e continuamos a visitar o centro de Milão, fomos à Galleria Vittorino Emanuele II, tiramos fotos, demos as 3 voltas com o pé nas partes privadas do Touro que representa a cidade para trazer muita sorte, vimos as lojas de roupas caríssimas com LV e Prada e afins entre outras coisas. 
À saída da galeria estavam um grupo de velhinhos sentados a aproveitar o dia a olhar para os turistas e pessoas locais que por ali passavam. Uma de nós que já não me lembro qual foi, teve a ideia de ir perguntar-lhes a eles se não sabiam de um sítio onde pudéssemos pernoitar. E lá fui eu dotada do meu italiano que na altura me permitia fazer um brilharete e perguntei a um casal de senhores se não sabiam um hostel ou sitio económico para ficarmos. Qual não foi a nossa surpresa quando o senhor nos respondeu: -Se quiserem podem ficar na nossa casa. - A esposa dele fez uma cara como quem diz: -estas masé tolinho. - O simpático senhor, lá disse para a esposa que a filha tinha acabado de casar e que tinham dois quartos vagos que podiam muito bem receber-nos em casa deles. E lá a convenceu. Depois de uns minutos disse-nos quais os dois metros que tínhamos que apanhar e como chegar a casa dela. Eu e a Liesy olhamos uma para a outra como quem acha que estas coisas não nos acontecem, afinal só nos tempos dos nossos pais é que as pessoas confiavam umas nas outras!!! O senhor disse para estarmos em casa dele as 19h, mesmo a tempo de jantar e como ainda faltavam umas horas eu e a Liesy completamente desconfiadas mas encantadissimas continuamos a explorar Milão e esses seus encantos. Durante o passeio resolvemos duas coisas, primeiro não contar aos nossos pais porque iam ficar preocupadissimos e não iriam aprovar e segundo comprar um presente para eles. Compramos um vasinho com umas flores lindas e adoráveis que qualquer senhora (porque de facto não a conhecíamos) iria adorar. E seguimos viagem em direcção à casa do casal. Demorou a chegar lá porque ainda era longe. Ao chegar à casa a Liesy disse a uma amiga mais ou menos onde estávamos só para o caso de acontecer alguma coisa muito estranha mas o feeling em relação a situação era bom e prosseguimos. 
Chegamos à casa dos senhores e a senhora estava completamente rendida, adorou as flores, tinha a mesa posta e fez-nos uma refeição mesmo à mãe, como nós já tínhamos saudades. Ficamos cada um com um quarto e uma casa de banho só para as duas com as toalhinhas todas alinhadinhas e tudo o maior mimo. Jantamos, lembro-me que estranhei a sopa por ser de urtigas mas que sabia muito bem, conversamos e conversamos e conversamos, já tinham visitado Portugal e eram os maiores fãs de bacalhau de maneira que parecia que nos conhecíamos à anos.  Durante a conversa chegamos à conclusão que a filha deles estava no curso que eu na altura mais queria tirar que era psicologia e eles ligaram à filha para nos vir conhecer às duas. Ela veio e continuamos a conversar. 
Depois do jantar a senhora avisou-nos que teria que ir trabalhar durante duas horas, era voluntária no apoio às vitimas de violência domestica e tinha uma espécie de gabinete onde estas iam conversar. Disse que nos deixava no centro da cidade perto do gabinete onde poderíamos passear e entretanto apanhava-nos e vínhamos para casa descansar. E assim foi. 
Viemos para casa, tomamos um chá e fomos dormir. (Ainda com aquela sensação na barriga que estas duas pessoas que não conhecíamos de lado nenhum estavam a ser boas de mais para ser verdade).
A melhor surpresa foi ao acordar, esta senhora, além de nos acolher preparou-nos uma mesa de pequeno-almoço digna de hotel. Nos nem estávamos a acreditar. Tomamos o pequeno-almoco, tiramos várias fotos com o casal que fez questão de marcar a data para a posterioridade  e no fim eu e a Liesbet perguntamos-lhes se podíamos pagar alguma coisa ou fazer alguma coisa por eles para agradecer o que fizeram por nós. Eles recusaram e disseram que o que podíamos fazer por eles era dar-lhes dois beijinhos na cara. Alem disto, que já foi TANTO, o senhor tinha comprado os bilhetes do metro de regresso ao centro para as duas. Demos-lhes o tal beijinho e um sorriso do tamanho do mundo que era o que tínhamos de mais genuíno para dar e partimos de regresso à cidade com uma historia que parecia vinda de um filme.
De volta à cidade tínhamos agora mais um dia para visitar. Visitamos o famoso cemitério Monumental de Milão, ao qual eu só vi da entrada, pois entrei e fiquei com tanto medo daquelas estatuas todas, maiores que eu e a parecer que estava num filme de terror ainda por cima com o céu cinzento que tive que esperar a Liesy cá fora. (Quem me conhece minimamente sabe que coisas assustadoras não são a minha praia por isso evito o contacto com elas). Depois fomos ao convento de Santa Maria dele Grazie que é onde fica a pintura fresca ''A última Ceia'' de Cristo de Leonardo da Vinci, porem só com meses de reserva se tinha acesso a esta. Portanto ficamo-nos apenas por visitar a igreja. Continuamos a vaguear pelo centro e no final do dia voltamos a Bologna. De volta a ''casa'' contamos aos nossos amigos depois aos pais mas nem uns nem outros queriam acreditar. 
Foi inesperado mas fez-me mais uma vez acreditar na bondade das pessoas e como as coisas mais inesperadas acontecem. 
(Nunca mencionei os nomes dos senhores porque já lá vão 3 anos e apesar de achar que tenho isso escrito em qualquer sitio,  não me recordo de momento, mas mal me lembre escrevo aqui.)

A minha segunda vez em Milão estes dois dias já está a ser completamente diferente, venho em trabalho, ficamos num hotel cinco estrelas, temos diária para gastar (sem ter que contar os troquinhos todos) e parece que o mundo deu uma volta de 180 graus porque a realidade é outra.
Fui mostrar a cidade às meninas da crew, servir sobretudo de guia porque acontece que sou a única que fala italiano (embora já não seja como antigamente ainda me safo). 
Elas gostaram, eu sinto-me em casa, com esta comida deliciosa e pessoas que só de falarem, com esta língua tão linda, já me estão a proporcionar um bom momento. 
Ontem fomos jantar a um lugar que todas adoramos, aqui perto do hotel, chamado Osteria della Pista, em que o dono do Restaurante se abraçou a nós e disse que era o papa (ELE) que tinha cozinhado aquela comida e os empregados eram os seus filhos. Quando elogiei o Tiramisu dos céus disse que tinha sido a Mama (sua esposa) a fazer e que ela fazia o melhor Tiramisu do mundo com aquela voz cheia de orgulho. Era um restaurante familiar que nos fazia sentir mimados. Recomendo a quem vier a Milão e ficar pela zona do Aeroporto, nem que seja a trabalho por um dia a ir a este restaurante porque a comida é de louvar aos Céus!! 

Para mim Milão é muito mais que a cidade da moda em que toda a senhora tem uma Louis Vuitton e uma espécie de cão minúsculo e vestido a condizer, é uma cidade que eu adoro conhecer pela sua riqueza cultural mas sobretudo pelas pessoas. Verdadeiramente adoráveis estas!

Ah! Ainda não foi desta que fui ver os estádios de futebol, quando morava cá apoiava o Mourinho e o Inter, ia com os meus amigos brasileiros ou o meu amigo Belga que durante toda a estadia foram os meus irmão ver e sofrer pelo Inter. Que saudade!

Daqui sigo para Nova York, a minha primeira vez em Nova York, nem consigo dormir de tanta curiosidade, felicidade, excitação antes do voo. Depois conto-vos tudo como foi.




2010 - Milão

 2013 - Milão 
 2013 - Milão 
2013 - Milão


Aguardem o próximo Post porque vai valer a pena!!!

Beijinhos espero que tenham gostado, se sim ponham gosto, comentem, enfim o que quiserem :D 





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